
E também é só até domingo que dá para conferir o projeto Molina Remix, no Sesc Av. Paulista. Na foto, detalhe da obra de Eduardo Srur, com bicicletas que circulam, por cabos suspensos, do prédio do Sesc até o prédio do Itaú Cultural.


E também é só até domingo que dá para conferir o projeto Molina Remix, no Sesc Av. Paulista. Na foto, detalhe da obra de Eduardo Srur, com bicicletas que circulam, por cabos suspensos, do prédio do Sesc até o prédio do Itaú Cultural.

Postizinho rápido só pra lembrar que essa é a última semana do projeto 14 por 32 no 3º, que está sendo realizado no Sesc Avenida Paulista. Para quem ainda não sabe, trata-se de um espaço laboratorial e investigativo proposto por oito artistas de diferentes áreas, e que tomam o corpo e o movimento como ponto de partida para criar uma instalação no 3º andar da unidade. Tem mais sobre o 14 por 32 aqui.
Veja algumas fotos do que está rolando por lá:







Para encerrar uma Mostra de Artes tão legal, nada melhor do que uma festa, não acha? Só que não poderia ser uma festa normal… Tinha que ser uma festa processual! O Sesc Pompéia recebe no dia 30, sexta-feira, o Sarau Circulações, um encontro de artistas e uma grande oficina que marca o final dos projetos Multipista e Cartonera & Catadora.
No evento, o público poderá circular livremente pelo “ao vivo” de uma jam de instrumentistas que compuseram músicas sem antes se encontrar, andar pelo ineditismo da confecção de catálogos ainda não publicados, passando pela oportunidade de se deparar com novos livros de capas e encadernações personalizadas.

Músicos de apresentam, juntos e separados, nos cantos iluminados da pista de dança. Produtos do trabalho de catadores de papelão são transformados e reciclados. Tudo isso em um espaço ocupado por escritores declamando trechos de suas obras encadernadas com papelão coloridos pintados com guache. Uma bela festa, não?
Então, anota na agenda: o sarau tem início às 17h, com a oficina de produção de catálogos e continua, a partir das 19h, com as apresentações dos músicos e escritores que participam dos projetos.


O Blog da Mostra percorreu o roteiro do Audiotour. Na foto, os enormes e esquecidos jardins suspensos da Praça Roosevelt. Engolida pelo Elevado Costa e Silva, a praça é um dos pontos de um mistério policial da cidade.
Para quem estreou o WalkMan nas ruas nos anos 80 (e as fitas K7); ou andou com um DiscMan na mochila nos 90 (e uma penca de CDs); ou caminha hoje com os fones num tocador de MP3, os momentos “videoclipe” com a cidade como cenário é…. (e pra isso o rock é prato cheio), digamos, é… comum.
Nada do videoclipe sem sal de Bittersweet Symphony (1997), da banda Verve, em que o vocalista magricela sai cantando na rua e esbarrando em quem surge pelo caminho. Mas um momento em que é possível até garantir que a cidade casa perfeitamente (ai, juras amor eterno) com o ritmo que pula dos fones para os seus ouvidos.
Talvez um sintoma da fome de imagens “que nos devora”. Como diz o professor Norval Baitello Jr., no belo A Era da Iconofagia, de 2005: “Vivemos, profundamente, até a última de nossas fibras, dentro de um mundo da visualidade. (…) podemos suspeitar que estamos dispensando os outros sentidos que não a visão. Exemplo disso é o valor do som, tão menor que o da imagem no nosso mundo e no nosso tempo.”.
De qualquer forma, e de alguma forma, quando você menos espera seu corpo “pega pilha”, e lá estão seus olhos no ritmo de um… videoclipe.
Agora o que é andar na cidade no ritmo de uma história? Uma história com começo, meio e fim soprada em seu ouvido por um par de fones? O Audiotour, que a Mostra apresenta no Sesc Consolação até este sábado, dia 1º/12, propõe isso a partir de uma trama policial montada em parceria do grupo argentino BiNeural-Monokultur com o jovem escritor Tiago Novaes.

Igreja da Consolação. No conto policial de La Culpa La Tiene Niemeyer / A Última Trilha de J.F., uma gravação de áudio é encontrada num dos bancos da catedral.
Logo de cara dá uma ponta de constrangimento acompanhar uma voz que diz “como” e “por onde” se caminhar. Mas é um jogo. Suspenda a descrença, como diz S.T. Coleridge sobre a recepção da literatura, e a coisa começa: você agora não é mais você, mas Gregório, o assistente de um detetive.
A trama vai levá-lo – sozinho, só você e os fones – a atravessar parte do centro de São Paulo (Rua da Consolação, Praça Roosevelt, Rua Nestor Pestana, Av. São Luís, Sete de Abril…) na busca de uma dita Joana F.
Dá para imaginar o desafio ainda maior que é colocado para quem circula pouco pelo centro de São Paulo. Mesmo um gênio do teatro não conseguiria uma encenação do Caos tão plena quanto o cruzamento da Avenida São Luís com o início da Consolação, Rua Augusta e Major Quedinho. E, de repente, lá está você: ouvindo, pelos fones, informações sobre o próximo passo do mistério enquanto integra, você próprio, o caudaloso trânsito de informações do cruzamento. ”Cuidado com os carros, Gregório” - o detetive Guedes, a voz gravada no tocador de MP3 que é entregue no Sesc Consolação, não economiza nesse tipo de conselho.
Há conselhos ainda como: ”Ignore os velhos amigos que encontrar no caminho”. E isso porque é impossível apertar o pause no aparelho de MP3. Reencontrar um velho conhecido pode significar… o fim da linha e de todo o mistério. E aí está o melhor do jogo: olhar a cidade a partir de suas ruas, avenidas, galerias e praças como quem folheia um livro, senta-se na poltrona de um teatro ou acompanha frame a frame uma das milhares de tramas que se costuram e recosturam minuto a minuto dentro dela.
Gregório ficará sabendo quem é a moça do interior Joana F., quem é Paulo, quem é o mendigo que aponta Niemeyer como culpado entre as subidas da Praça Roosevelt e as galerias da Sete de Abril e então… Bem. O que se tem é um roteiro de suspense e, assim, quanto menos se souber antecipadamente, melhor…
Até porque… Escuta com atenção: a cidade é sua, Gregório.

“Aí está o melhor do jogo: olhar a cidade a partir de suas ruas, avenidas, galerias e praças como quem folheia um livro, senta-se na poltrona de um teatro ou acompanha frame a frame uma das milhares de tramas que se costuram e recosturam minuto a minuto dentro dela”
LA CULPA LA TIENE NIEMEYER / A ÚLTIMA TRILHA DE J.F.
Com: Difusa Fronte(i)ra e BiNeural-Monokultur (Audiotour Ficcional) e Tiago Novaes
SESC Consolação
De 19/11 a 1º/12. Segunda a sexta, 11h às 17h; Sábado, 9h às 12h. Saídas individuais a cada 10min. (o roteiro completo tem cerca de 60min.)
Grátis.