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Ao Mestre…

J novembro, 2007

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Estudo de Jum Nakao para a instalação Geringonças Animadas pelo Sopro do Vento

Mais conhecido como estilista (especialmente pelo já célebre desfile de 2004 na São Paulo Fashion Week, em que os modelos encerraram a apresentação picotando as delicadas roupas de papel apresentadas), Jum Nakao é um nome que também circula sua linguagem particular pelo universo das artes visuais.

Um dos convidados no projeto Molina Remix, que acontece no Sesc Avenida Paulista e reúne artistas que apresentam releituras da obra de Mestre Molina, Nakao traz uma instalação que revela tanto projeções de sombras inspiradas no artesão quanto as engrenagens e ventoinhas que operam na “coxia” para a exibição destas imagens. Jum Nakao falou ao Blog da Mostra sobre o trabalho. 

Como você conheceu as obras de Mestre Molina?
Esse universo lúdico do brinquedo, da pegada capaz de fazer as pessoas sonharem, com essa característica toda visceral, sempre me chamou muito a atenção. O Molina era um artista que estava mais preocupado com o conteúdo do que com a forma. Não interessa ser asséptico, impecável, mas sim o conceito. A obra dele sempre me passou isso, sou fã de carteirinha há muitos anos.

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Detalhe de uma das bancadas, chamadas por Molina de geringonças

De onde surgiu a idéia para o Geringonças Animadas pelo Sopro do Vento?
A primeira geringonça que o Molina criou era movida pelo vento. Tudo o que a gente materializa tem um pensamento anterior, e ele já tinha na cabeça o que ia fazer antes de executar. O que ele tinha imaginado e o vento, são duas coisas imateriais, interessantes e pontos de elaboração. Minha idéia é construir um grande painel, todo à base de resíduos, como uma favela, cobrindo o fundo e as laterais, lembrando uma colcha de retalhos. Sobre esse painel vou projetar dois filmes feitos pela designer Pop. Eles serão projetados no canto das paredes, na quina, onde terá uma distorção que dialoga com o espaço. Um deles será sobre o vento, que é algo que você só percebe através de outro elemento, como uma cortina balançando, ou a poeira que ele levanta. O outro vídeo é sobre a engrenagem, a maquinaria como parte do espetáculo. Seria como a coxia, representando tudo aquilo que está atrás. São dois filmes sobre coisas que não se vêem, porém vitais para a existência do artista, da obra, e da compreensão dos trabalhos: enxergar o invisível.

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Por dentro das geringonças, como a coxia proposta por Nakao, a série de polias que anima os trabalhos de Mestre Molina

Além da referência no vídeo, há o uso efetivo do vento na obra?
Diante dos projetores, estou construindo engenhocas minhas que funcionam, sim, com o vento, como cataventos, mini-ventiladores e aquela saída por onde escoa o ar quente dos galpões de fábrica. Esses itens vão virar as polias e engrenagens de um baile de sombras que estará diante dos projetores. Um baile de imagens e elementos que fazem parte da linguagem e do repertório do Mestre Molina: uma paisagem, um cavalo, um parque de diversões, um serrote, um balão… Quero que as pessoas consigam exergar de onde o trabalho dele surgiu.

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“(…) elementos que fazem parte da linguagem e do repertório do Mestre Molina: uma paisagem, um cavalo, um parque de diversões, um serrote, um balão…”

Você tem um trabalho bastante particular. É difícil conciliar a criação em moda e arte?
Acho que são universos distintos, porque tem muito da aplicabilidade desejada. Para aplicar o trabalho da moda em uma empresa que me contrata para fazer uma consultoria, eu tenho de levar em consideração o interlocutor, as possibilidades da empresa, tenho que dialogar com uma série de dados que vão definir meu universo criativo. Se eu faço um trabalho de moda mais autoral, as referências passam a ser outras, dependendo do contexto. Em um trabalho de artes plásticas eu também lido com esse diálogo do que eu imagino e o que é possível ser feito, mas sempre procurando um fio condutor entre as duas extremidades.

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Modelo no já célebre desfile Costura do Invisível, de 2004…

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… e as delicadas roupas de papel sendo rasgadas no final da apresentação.

 Quer saber mais sobre os trabalhos de Jum Nakao? Ele próprio destaca alguns:

“Fiz A Fonte dos Desejos, na Galeria Vermelho, em São Paulo, a Imagética, em Curitiba, com uma instalação de bonecos que desenvolvi para um desfile, e hoje fazem parte do acervo do Museu de Arte Brasileira. O desfile Costura do Invisível, onde as modelos usavam roupas de papel, faz parte do Museu da Moda de Paris, em forma de DVD e uma peça de roupa que produzi para eles terem referência do trabalho real. Fiz a exposição Revolver, no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, com cineasta Kiko Araújo e o cenógrafo Julio Dojcsar. Nós três também fizemos a parte curatorial de uma instalação no Sesc Pompéia chamada Caminhos e Conflitos [dentro da Mostra Sesc de Artes Mediterrâneo, de 2005], que reuniu sete duplas de estilistas de diferentes áreas para criar uma peça.”

Dá para saber mais no site http://www.jumnakao.com.br/

MOLINA REMIXJum Nakao – Geringonças Animadas pelo Sopro do Vento

SESC Avenida Paulista :: Exposição: de 13/11 a 02/12. Terça a sexta, 11h às 21h. Sábados, domingos e feriados, 11h às 20h. :: Processo de criação aberto ao público nos dias 13, 14, 16 e 20, das 17h às 21h. Nos dias 15, 17 e 18, das 15h às 18h. 
Grátis.

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