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Oito por Um

J novembro, 2007

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14 por 32 no 3º: detalhe da maquete. Projeto reúne oito artistas de diferentes linguagens em instalação no 3º andar do Sesc Avenida Paulista

O projeto 14 por 32 no 3° vai reunir oito artistas de diferentes áreas no Sesc Avenida Paulista com objetivo de desenvolver e implementar em grupo, novas possiblidades de obras em meios híbridos, tomando como ponto de partida o corpo e o movimento. Uma das participantes do projeto é a performer e coreógrafa Vera Sala, que vem pesquisando há 20 anos novas possibilidades de movimentos corporais. Ela conversou com a gente sobre o trabalho e seu processo na dança:

O que você achou da proposta do 14 por 32 no 3°?
Eu tive uma primeira experiência de trabalhar ocupando o espaço de uma maneira processual e cruzando pessoas de diferentes áreas no próprio Sesc, quando apresentei este ano a instalação coreográfica Disposições Transitórias ou Pequenas Mortes [também no Sesc Avenida Paulista, durante os meses de junho e julho], onde participavam também músicos e arquitetos. Agora no 14 por 32 no 3° são mais pessoas envolvidas e eu estou super entusiasmada em ver como um trabalho afeta o procedimento do outro. A idéia não é que a gente crie um produto pronto, mas ficar nessa troca, durante a convivência, e ver como os trabalhos vão se acertando, criando conexões, tecendo possibilidades de relações.

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Vera Sala em cena com Disposições Transitórias ou Pequenas Mortes

Como vem se desenvolvendo a relação entre os artistas do grupo?
Esta semana fizemos encontros e desenhamos algumas possibilidades de espaço. Agora mesmo estou no Sesc para encontrar o Alejandro Ahmed. Estamos sempre trocando idéias, quando não fisicamente, por e-mail. Cada um vem com alguns conceitos do que já trabalha, não dá para partir do zero. Quero começar a ver como é que o trabalho que venho desenvolvendo afeta os demais, e como esses outros pensamentos podem afetar o que eu venho fazendo. A proposta é me deixar afetar por tudo que está aqui, assim como todos os demais vão se deixar envolver também.

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Parte da planta do Sesc Avenida Paulista. O nome do projeto faz referência às dimensões da sala (destacada em azul escuro) em que acontece o projeto

Individualmente, como é o seu processo de criação?
Olha, de uns tempos para cá, me interessa mais essa idéia de procedimentos que se transformam com a passagem do tempo do que um produto fixo, como um espetáculo. Estou sempre dentro de um recorte de questões que trabalho no corpo, experimentando outras informações, vendo como aquilo que existia anteriormente se modifica frente a uma nova questão. Por exemplo, quando entrei no Sesc para fazer Disposições Transitórias ou Pequenas Mortes, queria trabalhar com metais e vidros, daí surgiu a idéia de ficar em cima dos cacos de vidro durante o próprio processo, na experimentação, não havia sido planejado.

Há algumas idéias que estão sempre presentes nos seus trabalhos?
A precariedade no corpo, este espaço entre morte e vida, são pontos que permeiam todo o meu trabalho. O que me inqueta muito, pensando no momento que a gente vive no mundo, especialmente em grandes cidades, é uma falência das possiblidades de conexões, de estabelecer relações. Tudo é muito fugaz, rápido, e me interessa que corpo é esse que carrega a impossibilidade de estar conectado. Quando você não estabelece conexões com o ambiente, você morre.

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“[Em Disposições Transitórias ou Pequenas Mortes] a idéia de ficar em cima dos cacos de vidro [surgiu] durante o próprio processo, na experimentação, não havia sido planejado.”

E qual é a relação do público com essas idéias?
Eu costumo dizer que não tenho muito controle sobre a recepção do outro. É uma letiura aberta, as pessoas vão se relacionar com a obra trazendo suas próprias experiências, não tem uma mensagem muito específica. Claro que, dentro das questões que eu trabalho, há leituras no contexto de um recorte de um universo. Mas a gente não tem controle de que o espectador vai entender exatamente aquilo que eu estou entendendo. É deixar que cada um elabore suas próprias conexões, e que talvez essa pessoa possa modificar seu olhar sobre o mundo.

14 POR 32 NO 3º – Alejandro Ahmed, Leonardo Crescenti, Lucas Bambozzi, Marcos M. Marcos e Nelson Soares (O Grivo), Rejane Cantoni, Tiago Romagnani e Vera Sala.
SESC Avenida Paulista :: Visitação: de 23/11 a 2/12. Quinta a domingo, 16h às 20h. Terça e quarta, 16h às 22h. Grátis :: Processo aberto ao público: dias 13 e 20; terça, 16h às 20h. Grátis :: Bate-papo com os artistas: dia 20, terça, 18h. Grátis :: Performances: de 23/11 a 2/12; quinta a domingo, 21h às 23h. R$ 16; R$ 8; R$ 4.

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2 comentários

  1. Gostaria dos contatos dos artistas:
    Alejandro Ahmed, Leonardo Crescenti, Lucas Bambozzi, Marcos M. Marcos e Nelson Soares (O Grivo), Rejane Cantoni, Tiago Romagnani e Vera Sala.

    Obrigada
    carolpazzeto


  2. […] #OITO POR UM “A precariedade no corpo, este espaço entre morte e vida, são pontos que permeiam todo o meu trabalho”, pontua Vera Sala na entrevista. […]



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