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Múltiplos Papéis

J novembro, 2007

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Encenação e Material Pré-Gravado: a atriz Marcela Bannitz, que participa do espetáculo em vídeo interpretando as personagens A Outra e A Primeira Ministra   

Nos últimos anos, Luiz Fernando Ramos, que já trabalhou com diretores como José Celso Martinez Corrêa, andou tão dedicado à vida acadêmica que acabou deixando o lado prático da vivência teatral. Agora, na Mostra Sesc, ele pretende retomar o trabalho de ator e dramaturgo com um desafio: encenar sozinho a peça Morta (Viva). Partindo da obra A Morta, de Oswald de Andrade, o espetáculo traz Luiz na pele de diversos personagens, contracenando com material pré-gravado em vídeo. Em  entrevista ao Blog, ele fala um pouco do projeto:

Como surgiu a idéia de fazer A Morta, do Oswald de Andrade?
A Morta é uma peça que está completando 70 anos e já passou por algumas poucas montagens. No entanto, carrega um mito de ser hermética e difícil. É um grande texto da dramaturgia brasileira, é nosso Hamlet, nosso Esperando Godot. Eu decidi construir essa peça, que tem três atos e dezenas de personagens, sozinho, sem reduzir o texto ou encenar um monólogo. O meu interesse era realizar a montagem com essa regra, fazendo o texto integral, e para isso usar um artifício audiovisual. Boa parte da peça eu contraceno com atores que já estão gravados, e  trabalho com duas telas, numa mistura de teatro e cinema.

Como é atuar  interagindo apenas com particapações pré-gravadas ?
Eu já encenei muitas coisas. Fui ator num passado remoto e há anos não atuava. Ao mesmo tempo, encarei essa missão muito mais como um trabalho de ator propriamente dito do que como a realização de todos esses desafios que envolvem a performance. Eu não poderia ter pensado nisso colocando um outro ator. Montei essa peça quando tinha 17 anos e, na época, não fui autorizado a apresentá-la, pois não detinha os direitos. É um acerto de contas com o passado. A Mostra me permitiu dar este ‘cavalo-de-pau’ na minha vida. Atualmente, sou professor e vou voltar a exercitar esse lado de ator. Ainda bem que não fiz naquela época, porque não haveria material mais interessante para trabalhar nessa retomada do que este. Mais do que uma encenação, é montar uma máquina para pensar e processar essa peça, que pode fazer isso permanentemente, durante toda a temporada.

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Clarissa Kist no vídeo como A Dama das Camélias 

De que maneira acontecem as mudanças no decorrer das apresentações?
Elas vão acontecer na medida em que eu, como operador desse material, estiver mais confortável para interromper o espetáculo e fazer um comentário para a platéia, em um diálogo aberto, mas mantendo o texto integral. Quero estabelecer variações a cada performance. Não pressuponho necessariamente como será a participação do público, mas no teatro você nunca está livre dela, e é isso que caracteriza a sua vivacidade.

Que tipo de relação o espetáculo pretende com a platéia?
Basicamente, eu quero que as pessoas conheçam essa obra maravilhosa, que se cumpra o desafio de trazer a narrativa, que é meio complexa, como se fosse uma história de quadrinhos. Quero conseguir que o público reconheça a riqueza desse texto, que ele seja ouvido, e acho que a forma que eu escolhi fazer esta montagem favorece isso.

Há uma característica que você acredita que marca o seu trabalho?
Desde a minha primeira montagem profissional, em 82, quando apresentei Curva da Tormenta, uma Farsa da Idade Mídia, meu teatro tinha esse cruzamento de linguagens: cinema, literatura, vídeo. Acho que o teatro é um grande laboratório de transformações da linguagem artística. Nada melhor do que ele para ser o espaço onde essas linguagens se encontram, e acredito que esse é o caminho para revitalizar o teatro.

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A Morta: Laís Marques como Beatriz e A Menina de Esmalte

MORTA (VIVA) | LUIZ FERNANDO RAMOS
SESC Avenida Paulista ::  De 24/11 a 2/12. Terça a Sábado, 21h30; Domingo, 18h.
R$ 16; R$ 8; R$ 4.

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