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Vendem-se Personagens

J novembro, 2007

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 Elenco Reunido: companhia de Fernando Kinas mostra, a partir de hoje no Sesc Consolação, repertório de pesquisa com espetáculos, leituras dramáticas e ‘provocações cênicas’.

A Kiwi Companhia de Teatro está nos palcos desde 1996 fazendo da metalinguagem recurso para questionar as convencões do teatro e a idéia de representação. Fernando Kinas, diretor da companhia, não gosta, aliás, nem de usar a palavra “espetáculos” para definir os trabalhos do grupo. “Preferimos trabalhos cênicos ou processos. É um capricho, mas é justamente por causa das idéias que discutimos em cena”. Quem quiser conhecer o trabalho da Kiwi, pode começar por aqui, conferindo a entrevista com Kinas, para o Blog da Mostra, realizada entre os ensaios dos “processos” – além de poder acompanhar a estréia do grupo, HOJE à noite, no Sesc Consolação.

Qual foi o critério de escolha dos trabalhos que fazem parte da Mostra?
O principal é temático. Nesse tempo todo da companhia, a gente tem dois temas que estruturam o trabalho. Um deles é qual o papel da arte hoje em dia, em especial o teatro. O outro são os grandes temas da macro política, aqueles assuntos que vemos no jornal, mas que dificilmente são tratados no teatro. Tentanos equilibrar a investigação do papel da arte atualmente e os grandes temas sociais.

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Cena da experiência cênica Carne, inspirada na escritora austríaca Elfriede Jelinek, Nobel de Literatura em 2004. 

Como estão divididos os trabalhos?
Na primeira semana, mostraremos o estágio em que chegou a pesquisa do grupo. Vamos levar o resultado dos nossos ensaios para um lugar mais público, onde convidaremos as pessoas a discutirem. É completamente inédito, e continuará sendo, porque não é um trabalho pronto. Hoje, em Atentados à sua Vida, falaremos sobre o indivíduo na era da globalização. Amanhã, em Carne, o assunto é violência doméstica, e na quinta [feriado], tem Ruanda, sobre o massacre que aconteceu naquele lugar, onde discutimos obediência cega à autorizade e confilitos internacionais. Na semana que vem, teremos as peças: Eu Quero ser Superficial, que a gente faz como uma intervenção – ela foi apresentada em Curitiba e Rio de Janeiro; e Carta Aberta, que estreou em 98 e fizemos muitas vezes pelo Brasil inteiro. Já Teatro/Mercadoria # 1 fez temporada apenas no Rio de Janeiro, e agora vamos apresentar com algumas modificações.

Trecho de Teatro/Mercadoria # 1, exibido apenas no Rio de Janeiro

Vocês trabalham de uma maneira que o público seja convidado a se manifestar?
Sim. Mas não é nunca uma participação muito invasiva ou que provoque qualquer espécie de constrangimento. Todo o Projeto Teatro/Mercadoria tem como tema fundamental a idéia de que as produções culturais estão sendo feitas como um produto qualquer. Discutimos como evitar que o teatro se transforme em mercadoria. No trabalho Teatro/Mercadoria # 1 todo mundo fica no palco, não há nenhuma separação. A pessoa ganha uma cadeira na entrada e escolhe onde quer ficar. Fazemos essa espécie de provocação saudável para que o público tenha uma participação ativa. Tentamos desorganizar esse jeito mais tradicional de fazer teatro, mas não é nada como no Teatro Oficina… para isso já tem o Zé Celso (risos).

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“Tentamos desorganizar esse jeito mais tradicional de fazer teatro”

O questionamento que vocês realizam sobre os recursos convencionais da representação é acessível ao público “não-iniciado”?
Como a gente fala sobre o próprio teatro em vários trabalhos, isso também já foi discutido em cena. Não temos um modelo único. Em um trabalho onde vamos falar sobre a violência contra a mulher, essa comunicação é mais fácil de ser feita. Já Teatro/Mercadoria # 1 traz muitas referências a textos de Karl Marx, Mao Tsé-Tung e autores que fizeram parte da Escola de Frankfurt. Dependendo do público, não é pelo fato de saber quem é o nome citado que a pessoa vai acompanhar o que estamos falando. Temos um eqüilíbrio entre os trabalhos que têm uma comunicação mais direta e outros onde sabemos que estamos falando com formadores de opinião e pessoas com uma formação acadêmica mais sólida.

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Teatro/Mercadoria # 1 traz muitas referências a textos de Karl Marx, Mao Tsé-Tung e autores que fizeram parte da Escola de Frankfurt.”

Qual é a posição em relação ao público nesta Mostra?
São muitas idéias, mas neste conjunto de trabalhos, talvez a idéia central seja: estamos vivendo um processo de captura da cultura, da produção artística e de bens simbólicos pelo modelo de fabricação mercantil. Para nós, o teatro pode mostrar de uma forma crítica, de que maneira a sociedade está sendo gerida. Essa captura pelo modelo da produção industrial é um dos temas que estamos discutindo prioritariamente.

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Cena de Teatro Mercadoria # 1

Dá para conhecer mais sobre a Kiwi no site da companhia: http://www.kiwiciadeteatro.com.br

PROJETO TEATRO | MERCADORIA – PESQUISAS E REPERTÓRIO DA KIWI COMPANHIA DE TEATRO
SESC Consolação :: Leituras dramáticas, debates e provocações cênicas:
Dia 13 – Atentados à sua Vida
Dia 14 – Carne
Dia 15 – Ruanda

Espetáculos e encenações:
Dia 20 – Eu Quero ser Superficial
Dia 21 – Carta aberta
Dia 22 – Teatro/Mercadoria # 1
Pacote com os três espetáculos ou com as três leituras: R$ 30; R$ 15; R$ 7,50. Para cada sessão: R$ 16; R$ 8; R$ 4.
Dias 13, 14, 15, 20, 21 e 22. Terça a quinta, 21h.

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