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De Corpo Presente

J novembro, 2007

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Um Corpo que não Agüenta Mais. Influência de David Lapoujade e Roland Barthes.  Fotos de João Caldas. 

Explorando movimentos ‘pobres’, como bambolear, cair, ficar deitado e rastejar, a coreógrafa Marta Soares e seus bailarinos propõem uma reflexão sobre os poderes que afetam o corpo no espetáculo Um Corpo que Não Agüenta Mais, que toma como ponto de partida textos de David Lapoujade, Giorgio Agamben e Roland Barthes. Hoje, e na próxima quarta, o público poderá conferir o processo de criação antes da estréia, que acontece no dia 24, no Sesc Avenida Paulista. Marta conversou com o Blog sobre o trabalho.

Como o espetáculo foi desenvolvido?
É um trabalho inédito e começou de uma maneira muito pessoal – estava pesquisando a questão do que seria realizar um trabalho em grupo. Foram três meses de leitura de filósofos como o francês David Lapoujade, refletindo sobre qual seria a construção do corpo na contemporaneidade, mas partindo de uma sensação muito pessoal. Fiz essa busca em relação às sensações que eu tinha no meu corpo, não como bailarina, mas como ser humano. Fizemos esse recorte da questão desse corpo que não agüenta mais, sobre o que siginificaria esse corpo que resiste às sistematizações que lhe são infligidas no dia-a-dia, sejam no sentido intelectual ou físico. Não é um discurso contra o sistema, pois estamos nele e não temos como sair, então, abordamos quais seriam as estratégias para viver e criar de uma maneira potente, sobrevivendo sem ser sugado.

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“(…) abordamos quais seriam as estratégias para viver e criar de uma maneira potente, sobrevivendo sem ser sugado”.

Qual é a sensação de desnudar o processo de criação aos olhos do público?
É uma coisa muito íntima, nunca fiz isso na minha vida. Vamos abrir as portas para as pessoas verem o que estamos fazendo, sem nada planejado. Não é como um ensaio aberto, onde há um esqueleto do que já está pronto. A proposta é de não ser uma coisa mercadológica, por isso não sabemos muito bem o que vai acontecer, é um risco para nós e para o público. Só sabemos que não podemos deixar de ensaiar (risos). Fico um pouco preocupada, pois não queremos deixar que o público veja tudo antes senão a estréia perde a graça (risos).

Você procura em suas pesquisas aliar a dança a outras linguagens?
Uso muito as referências de artes plásticas por um interesse pessoal, porque é uma área que eu pesquiso e sou apaixonada. Acho que todo criador tem algumas obsessões que o perseguem na vida e as minhas sempre têm uma relação forte com as artes plásticas. É muito comum na dança ter as imagens como fonte de criação de movimento. E elas ajudam a materializar num espaço real o que eu tinha apenas em minha imaginação, seja como cenário ou em um vídeo. São recursos que você traz para criar um movimento ou enriquecer a visualização. Não tenho o objetivo do ‘interdisciplinar’, do ‘multimídia’. Qualquer elemento que apareça é fruto da necessidade da criação.

E de que maneira se dá essa criação?
Parte sempre de uma questão que me angustia, que me incomoda, que me faz sofrer, seja do passado ou do presente. No caso de Um Corpo que Não Agüenta Mais é muito do presente. Em trabalhos anteriores foram memórias do inconsciente, cicatrizes e traumas do passado. É muito de como isso está se apresentando fisicamente, no corpo, e a partir dessas sensações, eu vou buscando algo, uma imagem ou um texto que remete ao que eu sinto, e assim aprofundo a pesquisa. Durante a criação, é uma imersão tão grande que você nem enxerga o que está fazendo, mas depois que tudo passa, é possível ter uma melhor compreeensão das questões trabalhadas e, de certa forma, isso tem um efeito terapêutico.

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“[a criação] Parte sempre de uma questão que me angustia, que me incomoda, que me faz sofrer, seja do passado ou do presente.”

UM CORPO QUE NÃO AGÜENTA MAIS | MARTA SOARES
SESC Avenida Paulista :: Abertura do processo de criação: dias 14 e 21. Quarta, 20h. Espetáculo: de 24/11 a 2/12. Sábado e domingo, 19h. Encontro com Marta Soares e Christine Greiner: dia 27. Terça, 20h.
Grátis.

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One comment

  1. Olá pessoal que está mantendo o blog.
    Gostaria de dar os parabéns pela iniciativa de manutenção do blog, pela comunidade e toda a integraçñao que vocês estão fazendo com o ambiente on-line. Acredito que essa é a forma de fazer uma mostra de arte contemporânea.

    No entanto, escrevo não só pra parabenizar, mas pra relatar um problema. Hoje, fui pela segunda vez no Sesc Paulista e não consegui novamente comprar os ingressos que de gostaria. Os atendentes dizem que as respectivas sedes não cadastraram seus espetáculos. Enfim, estou com minha programação de peças da Mostra completa e não consigo comprar. Tendo em vista que a mostra já começou, acho isso um problema sério. Se tiverem alguma nova com relação a isso, por favor coloquem aqui no blog. Abraço
    Abraço



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